domingo, 5 de fevereiro de 2012

POBRE ARARA AZUL




Pobre arara azul
Estava tão feliz pousando no galho da árvore. Veio o temporal e a molhou todinha. Ela quase se desfez aos pedaços, à medida que eu tentava proteger a capa do caderno onde seu retrato estava estampado.

SOBRE AS ONDAS

A ALMA PENADA

A alma penada
Maíra morava na chácara há alguns meses, e vivia assustada com o que via ao redor da casa principal, onde estava morando. Antes das seis da tarde, ela às vezes, estava sentada na sala, outras vezes na varanda olhando as aves no quintal. Ela via uma procissão que passava em volta da casa, às vezes era um velho negro com um chapéu enorme, outras vezes era um moleque/adolescente que estava sempre sem camisa, outras vezes eles faziam um verdadeiro desfile como se procissão fosse e as mais estranhas figuras passavam bem a sua frente, pelas vestimentas Maíra concluiu que eram trajes muito antigos, talvez da época do Brasil império.
Ela comentou com sua velha mãe e esta lhe advertiu: - Minha filha, isto não é coisa deste mundo, melhor a gente ir embora daqui.
E a rotina continuava, sempre antes das seis da tarde. A mãe de Maíra a julgava possuída de algum mal. Católica que era, rezava dois ou três terços por dia. Um dia receberam a visita de uma velha senhora espírita. Logo ao sentar-se na sala, ela chamou Maíra em particular e segredou-lhe: - Nossa, minha filha, mas eu vi quase tudo o que você me falou e ouvi também, estou até com dor de cabeça. Maíra assustou-se, pois até então só tinha visto, ouvir, era outra coisa. Ficou surpresa e perguntou: - O que a senhora ouviu? A senhora sacudiu a cabeça e preferiu não repetir o que tinha ouvido, estava realmente perturbada.
Quando deram seis horas em ponto e o sol já esta se pondo, a senhora aproximou-se da janela da sala e num gesto como se estivesse conversando com uma pessoa, acenou várias vezes com a cabeça, estava muda e parada no mesmo lugar, até ir solenemente ao chão, com o choque que teve com a energia que tinha tido contato.
Depois de muita oração e reza pedindo para a senhora voltar a si, ela abriu os olhos lentamente, e passou o recado para Maíra, sua mãe e outras pessoas incrédulas que estavam por ali. Em poucas palavras ela relatou o pedido da alma que se apresentara para ela. Era um velho negro e escravo, Outrora naquele lugar tinha sido uma fazenda de café, onde os escravos eram muito maltratados. A alma pedia que a Siazinha que morava na casa, erguesse uma cruz na parte da frente da chácara e ali fizesse suas orações por todos aqueles que tinham partido e sentiam-se de certa forma presos as tristezas do passado.
Maíra atendeu ao pedido da alma penada, e mandou colocar a cruz no lugar indicado. Várias vezes reunia-se com sua mãe e outras pessoas, e rezava por aqueles que ali sofreram e padeceram no passado. Passados alguns meses, as figuras foram desaparecendo, e somente o velho negro que se apresentara para a senhora espírita continuava se apresentando aos olhos de Maíra. Ela chamou novamente à senhora espírita, que lá foi visita-la. Antes do entardecer a senhora já tinha a resposta que Maíra precisava. Ela falou assim: - Maíra minha filha, não precisa mais se preocupar, o velho que continua rondando a casa, pede para que não o chames mais de alma penada, pois ele é um guardião e protetor dos seus caminhos, na verdade um anjo de guarda, e disse que um dia você ainda ouvirá a voz dele a chamar-lhe, isto acontecerá quando deixares de ter medo.
Passou-se mais um tempo, certa noite, quando voltava do curso que fazia na cidade, Maíra vinha dirigindo seu velho carro pela estrada de chão quando notou algo estranho lá na frente, freou assustada. Finalmente encontrou o velho negro que rondava a chácara. Ele apenas disse-lhe: - Segue sem medo, nada demais está acontecendo, tudo vai dar certo, tenha calma.
Ela acelerou o carro, e chegou rapidamente em casa, sua mãe estava passando mal, duas vizinhas vieram ajuda-la. Já tinham dado o remédio da pressão, e estavam esperando a ambulância, os paramédicos chegaram, mas não precisaram fazer nada, a mãe de Maíra estava completamente restabelecida.

As sacolas plásticas nossas de cada dia

As sacolas plásticas nossas de cada dia
E tudo na vida são sacolas plásticas. Não precisa pensar muito. Quando surgiu a AIDS, o que aconteceu? De certa forma, a prevenção encontrada foi praticamente “plastificar” o órgão sexual em uma sacolinha. Para desespero dos machos, e tragédia para as mulheres. Sem contar nos cadáveres que iam envoltos em lençol, agora ficou mais pratico e moderno, ficam acomodados mesmo em enormes sacos plásticos.
Toda essa modernidade me leva a pensar que estamos plastificando também nossa inteligência, sensações, e bom senso, pois estamos abafando nossos instintos de sobrevivência ao rendermos culto a estes objetos de estagnação e destruição ambiental.
O maior problema quando se fala em sacolas plásticas é que elas são feitas principalmente de materiais derivados do petróleo. Demoram muito para se degradar aproximadamente uns quatro séculos (quatrocentos anos). Na realidade, muita gente não se preocupa com o fato, pois sabe que não estará mais por aqui, então remetem o problema para os próximos. Isto é o pior que pode acontecer. Num futuro imediato, a próxima vítima somos nós mesmos. As sacolas plásticas são usadas de mil e uma formas e geralmente vão acabar poluindo o solo e a água, além de entupirem bueiros e córregos, aumentando os depósitos de lixo nestes locais e piorando as enchentes. Elas também são levadas para o mar, onde podem matar os animais, uma vez que são confundidas com alimento.
Para iniciar uma grande jornada a favor da vida do planeta, faça sua parte agora, melhora seu mundo com pequenas ações. Participe, informe-se, aprenda outras maneiras de utilizar outros materiais menos degradáveis. Tenha certeza que os mandamentos cristãos são atualíssimos, quando amamos ao próximo como a nós mesmos, cuidamos da vida em um sentido mais amplo, físico e espiritual.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Chuva de beijos





Deus nos manda uma chuva

de beijos no coração

pois aqui estamos entre os planetas

sobrevoando as flores



sugando-lhes o pólen

somos livres lindas borboletas.

Logo as flores morrem

outras os jardineiros colhem...



livres lindas borboletas correm

sobrevoando juntas entre os planetas

quase distantes brilhantes borboletas

no seio profundo do cosmos, vibrantes cometas.









terça-feira, 2 de novembro de 2010

A MORTE

A MORTE


A morte não existe.

A morte é apenas a passagem de um estado ao outro. Costumamos temê-la, odiá-la, negá-la.

Talvez medo da verdade que temos de encarar, desde que tomamos consciência de nossa existência humana .

A morte é apenas uma transformação. Se pensarmos bem, vivemos uma morte constante, pois a vida para perpetuar-se, efetua a cada átimo de segundo as mudanças necessárias para conservar-se.

Não existindo MORTE, podemos aquietar nossas almas e finalmente acreditar que esta “vida” não é um pequeno presente que nos foi dado e poderá ser retirado repentinamente por Deus.

Sabendo que a imortalidade existe, cabe-nos buscar nesta vida, o caminho, a porta para este encontro com o mais profundo de nossa natureza. A busca por esta luz, nos conduz pouco a pouco, a relativas mudanças, realizadas sem muitos estardalhaços, ao longo de nossa jornada. Vivemos muitas mortes e renascemos muitas vezes. Trocamos de estágios inúmeras vezes, como o aluno que estuda várias disciplinas e mais tarde enfrentará os exames. Os exames que enfrentamos estão nos problemas que surgem no dia-a-dia.

Aquietar nossas almas, não significa parar ou estacionar a atividade do espírito. Pelo contrário, deixar de lado pequenos anseios e buscar com tenacidade a verdade maior, pode tornar-se o objetivo principal de nossa existência, ou tomada de consciência para manter-se “vivo” na multidão que prefere permanecer sonolenta e cega.

O sol da verdade brilha para todos, alguns não querem vê-lo, têm medo de queimar suas retinas, sempre com a ignorância e o medo, eles prosseguem, deixando de experimentar o melhor, mergulhados na escuridão, prosseguem com suas lamúrias, dores, desconfortos, culpas, indecisões, sofrimentos, abandonando-se a própria sorte, como pequenas crianças fazendo pirraça.

Preferem caminhar em círculos, sem procurar a saída, amparando-se nos outros cegos, que vivem a esbarrar-se com seus afins.

Acreditar na imortalidade e lutar para preservá-la, é caminhar cuidadosamente no meio da escuridão, com enorme tocha acesa, que serve para iluminar o caminho e vigiar para que os ventos não apaguem nossa chama salvadora. Levando amparo aos companheiros de jornada.

Amanhã comemoramos o Dia de FINADOS. Lembrarei com saudade todos os que partiram, os que amei e me foram queridos, e já não estão mais nesta dimensão. Não os considero mortos,

estão vivos caminhando em suas vidas, no progresso, na evolução, cada um dentro do seu ritmo, de acordo com seus merecimentos e realizações.

As lágrimas fazem parte das lembranças, não chorarei apenas pelos que se foram, chorarei pelos que ainda estão entre nós, perdidos, viciados e iludidos, mergulhados em tantas fantasias viciosas, em tantos sentires maliciosos. Mesmo vivos, já se condenaram e se entregaram a inércia, e a MORTE temporária de sua evolução.

Ter medo da morte é natural, pois é o desconhecido que se aproxima, de certa forma será o fim de um estágio.

Na quietude de minha alma encontro a esperança para seguir adiante, sem a companhia dos meus amados que já partiram, e na certeza de um encontro futuro com todos.

Amanhã não celebrarei a MORTE em sua essência. Celebrarei a VIDA em um dos seus incontáveis aspectos e significados. Acredito em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do Universo. Acredito na luz, no amor, na vida eterna, no perdão, na ressurreição, na transformação que é o que ocorre quando falece nosso corpo físico, ao qual chamamos MORTE.

Amanhã não sofra demais pelos que se foram, pelo que você não pode mudar, apenas modifique o que está para vir, viva mais consciente com esperança que as mudanças são necessárias e não são sempre boas ou más, são apenas passos que precisamor dar em nossa caminhada evolutiva.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

VELHO AMIGO

VELHO AMIGO




Hoje morri de saudades tuas,

Era uma dor fina mas profunda.

Queria jogar-me em teus braços

E perder-me num abraço.



Ficaria por alguns momentos

Escondendo meus sentimentos

Até que teu olhar procurasse o meu

E nele se aprofundasse...



Não seriam necessárias palavras,

Tuas mãos fortes e robustas

Ao reter meu corpo trêmulo ao teu

Seriam como sutis garras



A sugar-me inteira no silencio

Que se faria entre as ondas calmas

Dos sentimentos se debatendo

No oceano profundo da solidão.



Imaginei teu olhar castanho

Se aprofundando além de minha pele

Como se fosse uma lamina fina

Esparramando muita adrenalina.



Não faltará tempo nem ocasião

Porém hoje mais forte do que a solidão

Foi a necessidade de teu carinho irmão

Para dividir segredos do coração.



Amizade é como mágica poção

Não lhe esquecemos o gosto

Pode ser muito velho o poço

Mas sua água sempre irá nos saciar.



Beber-te em gotas cálidas

Era tudo o que eu precisava

Tu serias minha poção mágica

A esquentar-me a alma solitária.



Onde andas velho amigo?

Caminhastes para fora da praça?

Fostes para longe como fumaça?

Vem ver-me me dar o ar de tua graça.