terça-feira, 1 de setembro de 2009

LIBERTE-SE DA TENTAÇÃO

Liberte-se da tentação

Não maltrates o coração do irmão
Pois ele é fino, sensível e delicado.
Como as pétalas de uma rosa,
Macio e perfumado, dádiva maravilhosa.

Não zombes dos suspiros sufocados
Em tristes ais! Quase sempre afogados
Nas profundezas do coração
Tão sofrido e maltratado pela desilusão

Não manifestes teu descontentamento
Por não encontrares o usual sorriso
Que te acariciou no distante pretérito
Se hoje a desesperança rouba sua cor

Não faças juízo do quadro pesaroso
De dor e sofrimento que se apresenta
Nas feições da companheira e da irmã
Acreditando ser um gesto mentiroso

Para chamar atenção ou carência
Cobrando teu fortuito consolo
Ou mesmo exigindo teu calor
Ausente, distante que nunca foi amor.

Se nada podes fazer para somar
Alegrias, carinho e esperanças.
Procure meditar profundamente
Na conjugação do verbo amar

Nem sempre nos mostra a mente
A planta que desabrochou da semente
E as raízes tão profundas não mentem
O quanto o amor se contorce

Em suas profundezas sutis
Como ele brota dos galhos secos
Como a videira produz novos ramos
Após ter se consumido no inverno

Assim o amor renasce a cada dia
Em nossa vida como mágica poesia
Para o amante esperançoso
De um futuro esplendoroso

Para o náufrago vagando errante
Para o perdido caminhante
Para o mendigo ambulante
Para o doente e o condenado

Ah! O amor verdadeiro
Foge medroso e assustado
Se o vento sopra ligeiro
Esconde-se além do horizonte

Brincando de por fogo nas nuvens
Atiçando relâmpagos e trovões
Semeando paixões ao vento
Para se revelar eterno num só momento.

Consideres que todos carecem
De alimentar a chama principal
Que lhes aquece a alma
E ilumina o caminho

Antes de julgar severamente
Deixe seu coração vibrar
Alegremente cheio de amor
Só então compreenderás a dor

Camuflada no semblante
Do outro o teu semelhante
E terás penetrado o sentimento
Do respeito ao próximo

Compreenderás que só vemos
A verdadeira videira
Quando tiramos as vendas
Que atam nossos olhos

Tornando-nos cegos à realidade
Que só pode ser alcançada
Se em nossa essência mantivermos
A vibração elevada e alma desperta

Para vencermos a ignorância
Não sendo prisioneiros da treva
Nem partidários da infâmia
Seguindo adiante sobre a tentação

Que nos ataca nas vielas escuras
Pronta para nos abater e carregar
Com seu manto escuro como a noite
Para as profundezas do Inferno.

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